Doyle Brunson aposta em Darvin Moon

Desde que ficamos a conhecer os 9 finalistas do Main Event das World Series of Poker deste ano (os November 9), que as opiniões sobre quem irá vencer se acumulam. Opiniões que agora vão ganhando outro formato, transformadas em apostas.

Dois dos maiores nomes do Poker Mundial decidiram apimentar a coisa, e apostaram entre si sobre quem acham ser o favorito. Daniel Negreanu e Doyle Brunson decidiram colocar tudo preto no branco e acordaram uma aposta, Daniel Negreanu confia na experiência de Phil Ivey, enquanto que Brunson não consegue fechar os olhos à enorme vantagem de Darvin Moon.

Brunson admite que gostava de apostar em Ivey, mas o facto de Darvin Moon ter uma stack cinco vezes superior à do Tiger Woods do Poker, levou-o a tomar a decisão mais sensata.

A final table do Main Event das World Series of Poker começa a disputar-se no próximo fim de semana, aqui no PokerPT.com, poderão ficar a saber tudo o que se passa em Las Vegas.

November 9 – WSOP 2009

Caminhamos a passos largos para o final do Main Event das World Series of Poker. Este novo formato dos November 9, dá-nos 3 meses de ansiedade até conhecermos o Campeão Mundial de Poker. Aos jogadores é também permitido evoluir, ter aulas, delinear estratégias enquanto a grande fatia do prizepool rende uns juros no banco.

No dia 7 de Novembro voltaremos a ouvir “Shuffle up and deal” no Rio All-Suit Casino, mais propriamente no Anfiteatro Penn & Teller onde a acção só parará quando forem encontrados os dois últimos sobreviventes. Domingo é dia de descanso e segunda-feira , os November 9 ficam reduzidos a um só, o Campeão do Mundo, depois do heads up agendado para esse dia onde estão em jogo não só 8.5 milhões de dólares como a bracelete de vencedor do Main Event da WSOP.

Vamos dar a conhecer o perfil de cada jogador por ordem crescente de fichas, mas para já tomem nota da disposição da final table:
  • Lugar 1: Darvin Moon – 58,930,000
  • Lugar 2: James Akenhead – 6,800,000
  • Lugar 3: Phil Ivey – 9,765,000
  • Lugar 4: Kevin Schaffel – 12,390,000
  • Lugar 5: Steven Begleiter – 29,885,000
  • Lugar 6: Eric Buchman – 34,800,000
  • Lugar 7: Joe Cada – 13,215,000
  • Lugar 8: Antoine Saout – 9,500,000
  • Lugar 9: Jeff Shulman – 19,580,000
“OS TRÊS SHORTSTACKS “
James Akenhead – 6,800,000 fichas
26 anos, Inglaterra
James Akenhead é residente em Londres e teve o primeiro contacto com o Poker com 20 anos, numa altura onde a sua vida profissional era dedicada a conduzir comboios. Apesar de nessa altura considerar o poker como um jogo estimulante, era apenas um hobbie que partilhava com um grupo de amigos, com o qual estudava e evoluía no jogo.
Aos 23 anos, este jovem jogador decidiu deixar o amadorismo e passar a ser um profissional de poker. Esta decisão chegou, quando numa só noite de Poker Online conquistou prémios de valor superior a um ano de ordenados no seu emprego normal.Desde então, o seu grupo de poker buddies, que dá pelo nome de TheHitSquad, é um dos grupos de poker mais conhecidos na europa e espalham o terror em torneios ao vivo e acumulam grandes resultado. Este jovem inglês tem ganhos superiores a $800.000 em torneios tendo conseguido o seu resultado mais marcante, em 2008 em Las Vegas, no evento #2 No Limit Holdem das WSOP com um buy in de $1.500.

James viu escapar-lhe por entre os dedos a sua primeira bracelete, quando em Heads Up conseguiu que o seu oponente, Grant Hinkle fosse all in com T4 face ao seu AK. Um flop TT4 negou-lhe o objectivo de conquistar uma bracelete. Ficou a alegria da conquista do prémio monetário no valor de $520,000. Em 2008 entrou para a equipa de jogadores profissionais da Full Tilt Poker, fruto dos seus bons resultados em No Limit Hold’em e Omaha.
O seu percurso neste Main Event não foi fácil. Logo nas primeiras jogadas sofreu um grande rombo na sua stack com KK frente a AA. Mas a sua paciência e calma mostraram-se fulcrais e determinantes no seu caminho para a mesa final.
É o único jogador inglês em prova e é o jogador com menos fichas. Nos últimos meses participou em diversos torneios europeus com destaque para a sua participação na final table da WSOPE onde ficou classificado na 9ª posição.
Antoine Saout – 9,500,000
25 anos, França
Natural de Saint Martin des Champs, em França, Antoine Saout chega à Final table como o jogador mais inexperiente. Conheceu o jogo de Poker há menos de 18 meses e nesse período conseguiu conquistar uma entrada no Main Event da WSOP por $50 e ultrapassar 6,440 jogadores para chegar a final table onde já garantiu 1.2 milhões de dólares.
Colocou de parte os estudos de Engenharia para se dedicar a 100% ao Poker, sendo presença assídua da Spanish Poker Tour. Antes da WSOP não existia registo de grandes resultados ao vivo, no entanto este jovem francês regressou diferente de Las Vegas. Reconhecida a sua extrema agressividade nas mesas e com um lugar marcado nos November 9, Saout regressou à Europa e mostrou o seu valor já como jogador profissional da Everest Poker.
Participou no Partouche Poker Tour e no EPT Barcelona onde se destacou como chip leader, fez 40º lugar no WPT Marraquexe e na WSOPE conquistou um 7º lugar.
Em visita a Portugal, conquistou também vários prémios da etapa de Vilamoura da Spanish Poker Tour. Ninguém fica indiferente a este jogar que admite não ter medo ou receio dos seus oponentes e está plenamente confiante no seu jogo.
É o segundo jogador com menos fichas e a sua táctica é clara, tentará dobrar nas primeiras mãos. Os seus três últimos dias de torneio foram os mais difíceis, uma vez que ficou sentado à esquerda de Phil Ivey.
Tendo em conta a inexperiência de Saout e as suas fichas é pouco provável que o próximo campeão do Mundo seja francês, mas se surgir 1 ou 2 double up´s pode vir a tornar-se temível por não ter pressão nenhuma nos seus ombros.
Phil Ivey, 9,765,000
33 anos, Califórnia
Phil Ivey é sem sombra de dúvida a personalidade mais mediática dos November 9 de 2009 e a bracelete do Main Event das World Series of Poker é dos poucos troféus que faltam na sua colecção.
Começou a jogar com um bilhete de identidade falso nos clubes de poker americanos e logo aí o seu valor foi reconhecido. Daí até chegar a Las Vegas foi um pequeno passo e não tardou a entrar nos jogos mais caros da cidade.
Em 2000, chegou a duas final tables da WSOP e conquistou a sua primeira bracelete num evento de Pot Limit Omaha de $2.500 derrotando Amarillo Slim, Phil Hellmuth e Devilfish.
Em 2002 conquistou mais 3 braceletes em várias vertentes do jogo, sendo admirado pela sua abilidade em qualquer vertente. Em seguida dedicou-se aos cash games e é dos jogadores mais temidos nas mesas de High Stakes. Faz parte da equipa de profissionais da Full Tilt Poker e é frequente encontra-lo nos grandes jogos online. Actualmente vive em Las Vegas com a sua esposa e é regular nos jogos de $4.000/$8.000 do Bellagio.
Phil Ivey é o jogador que ninguém quer ter na sua mesa. A sua PokerFace é inquebrável, o seu olhar analista é frio e incomoda o mais sério dos jogadores. A sua genialidade é mundialmente reconhecida, sendo muitas vezes chamado de “Tiger Woods” do Poker.
É considerado por muitos o melhor jogador do mundo e de todos os finalistas é o que tem mais experiência. Apesar de ser o 3º com menos fichas continua a ser um dos principais candidatos e o jogador mais temido entre os November 9.
Os fóruns de poker a nível mundial vão apoiar a 100% este jogador por considerarem que seria o exemplo máximo de que o poker é um jogo de skill e não de sorte.

Antoine Saout: Entrevista exclusiva

O francês que assinou pela Everest Poker depois de alcançar a mesa final do Main Event das World Series Of Poker confessou, em entrevista exclusiva ao PokerPT.com, que não esperava chegar tão longe no maior torneio do Mundo. Admite que nunca estudou o jogo e, embora reconheça que deveria ter esse cuidado, mostra-se confiante numa boa prestação a partir de sábado, em Las Vegas. Depois disso, é possível que o encontremos de novo em Vilamoura, por ocasião da etapa do European Poker Tour.

PokerPT.com – Como se sente por ser um dos November Nine?
Antoine Saout Sinto-me bem. Fiz um bom torneio em Vegas, um torneio enorme com muitos jogadores, com um grande buy-in. Concentrei-me em dar o meu melhor e, depois, assinei o contrato de patrocínio com a Everest Poker.

PKPT – Como é se sente depois de voltar de Vegas com mais de 1 milhão de dólares, facto que lhe permitiu integrar a equipa da Everest Poker? Sente-se entusiasmado?
A.S. – Sinto-me bem. É sempre difícil chegar à Everest mas tive uma boa prestação no torneio. Cheguei ao Main Event e foi então que assinei o acordo. Estou muito contente pelo contrato que fiz, pois permite-me fazer os circuitos. E já comecei a fazer alguns, como o SPT em Vilamoura. Logo, vou ganhando prémios e espero continuar assim e tirar o maior proveito deste contrato.

PKPT – E qual é a sensação de voltar de Las Vegas mais rico 1 milhão de dólares?
A.S. – Penso, essencialmente, no impacto que isso teve nos media, quando via o jornal ou a televisão e apercebi-me da grande dimensão que tudo isso tinha. Depois percebi que, realmente, a minha conta tinha crescido. Uma pessoa acaba por pensar em adquirir alguns bens ,como um carro ou uma casa porque, de facto, trata-se de um valor enorme. Mas, particularmente ainda não pensei nisso. É, de facto, uma soma gigante e ganhá-la num torneio como este, o maior do Mundo, é extraordinário.

PKPT – Se antes do Main Event das WSOP alguém lhe perguntasse o que se iria passar, o que é que lhe responderia?
A.S. –
Que esperava fazer um bom torneio, que tinha a ambição de ficar nos lugares pagos mas que nunca esperava ser um dos últimos nove jogadores, mesmo tendo em consideração a estrutura do torneio e os níveis que se jogam em Las Vegas.

PKPT – Depois de se qualificar para a mesa final das WSOP, teve a preocupação de ver os vídeos dos outros oito jogadores? O que pensa do jogo deles?
A.S. –
Ainda não vi vídeos dos outros oito jogadores. Eles devem ter falado em entrevistas e tudo isso mas, entretanto, não vi nada. Tenho visto algumas coisas pela televisão e vi também o histórico deles através da internet, as suas “performances” passadas, os seus resultados online…

PKPT – Apesar de não ter visto os vídeos dos seus adversários, existe algum que o intimide um pouco mais do que os outros?
A.S. – Particularmente, não. Porque até numa mesa final eu pratico exactamente a mesma “ciência dos torneios” e sei que irei confiante para enfrentar todo o mundo, aumentar as fichas, construir a minha stack. Penso que não se trata, por isso mesmo, de um caso particular.

PKPT – Depois de se tornar num dos November  Nine, quando se senta numa mesa online ou ao vivo, acha que existe um factor positivo ou, talvez, um factor negativo relativamente à maneira como os seus adversários o vêem e jogam consigo?
A.S. –
Penso que existe, essencialmente, um aspecto positivo. Existem muitos adversários que querem jogar comigo, que me pagam e me analisam, que cobrem as minhas apostas, que me fazem bluff e que, afinal,  até nem têm grandes saídas… Mas isso é bom para mim. Penso que isso é um factor positivo.

PKPT – Após a sua qualificação para a mesa final, tomou a iniciativa de estudar um pouco mais? Gostaria  de aprofundar alguns pontos no seu jogo para melhorar o seu nível de poker?
A.S. –
Ainda não estudei muito sobre o jogo. Nunca li um livro ou uma revista. Deveria fazê-lo para melhorar os meus conhecimentos de pot odds , selecção de mãos, etc. No entanto, penso que o meu jogo melhorou desde Las Vegas. Tenho jogado de uma forma muito mais agressiva, como alguns tiveram a oportunidade de testemunhar aqui e no PPT de Cannes. Isso ajudou muito o meu jogo e penso que tenho ainda que melhorar. Afinal de contas, ainda só passaram dois anos desde que comecei a jogar!

PKPT – Sente alguma ansiedade para que comece a mesa final?
A.S. – Não necessariamente.  Quando chegar o dia, certamente estarei bem preparado e passarei uma boa imagem. Agora, até à data, esperarei tranquilamente.

PKPT – Depois de se ter qualificado para a mesa final, com todo esse dinheiro, houve algum momento em que cometesse uma pequena ou uma grande loucura com alguma coisa que comprasse?
A.S. –
Ainda não tive tempo. Estou um bocado apertado pela imprensa e a fazer negociações com a Everest. Por isso ainda não tive a oportunidade de ser excêntrico. Mas já dei uma vista de olhos a alguns carros… A minha primeira loucura será mesmo um carro e, mais tarde, pensarei num apartamento ou numa casa.

PKPT – Houve quem ficasse surpreendido por vê-lo jogar no Spanish Poker Tour. O que lhe interessa realmente é jogar Poker, não tendo grande importância o buy-in, quer seja um Main Event das WSOP, quer seja um torneio de €100. É verdade?
A.S. – Sim. Fui eliminado na 13ª posição do torneio principal e isso chateou-me um bocado. Mas os meus amigos também participaram no Fun Event, fui jogar e acabei por me divertir bastante e por passar um bom fim-de-semana em Portugal. Adoro o Poker. É a minha paixão, logo,  sempre que tenho a oportunidade de me lançar nos torneios para jogar noutro nível, faço-o. Funciona sempre assim.

PKPT – Que tipo de poker joga online? Joga habitualmente Sit and Go’s, MTT’s ou cash? Que limites joga mais frequentemente?
A.S. –
Na Everest jogo, sobretudo, torneios Sit and Go de $10+1 de buy in, todos os torneios à noite ou ao fim-de-semana, como os 100.000 garantidos. Por vezes também faço Heads-Up, sempre Sit and Go, de $50 ou $100. Quanto a cash games, de vez em quando jogo de $1/$2 ou $2/$4.

PKPT – Lembra-se de algum torneio que lhe tenha corrido muito bem e de outro que, pelo contrário, tenha sido uma catástrofe, em que todas as mãos e jogadas tenham sido más?
A.S. – Lembro-me do European Poker Championship, no ano passado. Foi nesse mesmo torneio que sinto que joguei verdadeiramente poker. O primeiro dia correu muito bem e o segundo também. No terceiro dia joguei mal, tendo jogado um Ás-Rei contra Ases. É claro que tudo isso me marcou mas é preciso ganhar experiência. Entretanto, também estive em Cannes, onde fiz 3 dias enormes e fui chipleader em todos eles. Nesse caso pratiquei um excelente nível de poker.

PKPT – Há muitos franceses que participam no SPT, tal como David Colin e Christian Debeil que se têm revelado excelentes jogadores. Reconhece o seu valor? Recomendaria estes jogadores para fazerem parte da própria Everest Poker?
A.S. –
Penso que sim. Conheço muito bem a equipa da Everest e estou habituado a jogar pela mesma. Logo, conheci bastantes  jogadores  e, ao vivo, conheci Christian Debeil e também David Colin, que ganhou mesmo em Castilha. Debeil também esteve no heads-up desse evento. Penso que são dois excelentes jogadores e que deveriam fazer parte da team Everest.

PKPT – Mas do ponto de vista da reputação global, os jogadores franceses são categorizados como tendo um estilo de jogo não muito bom, sendo bastante loose e, por vezes, demasiado agressivos. Sente isso por parte dos jogadores da sua nacionalidade? Ou acha que os franceses têm evoluído ao longo do tempo?
A.S. –
Isso depende das várias impressões de cada país. Os franceses têm mostrado, quanto muito, o seu bom nível e, hoje em dia, fazem parte do top 100 ou 200 dos melhores do Mundo. Há jogadores franceses com diferentes níveis e com estilos de jogo também diferentes. Existe também um caso de um jovem jogador, da região de Rennes, que também esteve num EPT. E isso é muito bom.

PKPT – No mundo do Poker existem jogadores, não necessariamente franceses, que admira particularmente e considera como referências?
A.S. – Não leio revistas, livros nem nada disso. Logo, não tenho verdadeiras referências. Aprendi a jogar poker por mim mesmo. Mas há jogadores que gosto de acompanhar.  Gosto das suas leituras e do seu jogo mas, mesmo assim, não conheço especificamente o jogo deles, só mesmo a imagem. Prefiro concentrar-me no meu jogo do que no dos outros.

PKPT – Como foi a sua estadia em Vilamoura a jogar no SPT? Foi a primeira vez que veio a Portugal? O que é que pensa do lugar em si, do sol, da praia?
A.S. –
Já fiz vários SPT mas esta foi a primeira vez que estive em Portugal, em Vilamoura. Achei as pessoas bastante simpáticas, estava um óptimo tempo. No casino também todos eram simpáticos e toda a gente estava habituada a jogar poker. Foi um bom momento, passado em conjunto. Foi muito agradável e conheci excelentes jogadores.

PKPT – Vamos ter uma etapa do EPT em Portugal, de 17 a 22 de Novembro. Depois da experiência que viveu no SPT de Vilamoura, faz parte dos seus planos participar nesse evento?
A.S. – Tenho feito todos os torneios do EPT, portanto tenho em mente estar presente no de Vilamoura. Depende também dos resultados que obtiver em Las Vegas. Se tudo correr bem, lá estarei.

PKPT – Como é que se imagina daqui a 5 anos?
A.S. – Espero, daqui a 5 anos, continuar a jogar Poker, a fazer uns bons anos, como este. Seria um bocado pesado fazer torneios todas as semanas, por isso faria dois torneios por mês, ou algo assim; mas espero fazer carreira no Poker para ter uma vida tranquila assegurada. Depois, também o faço por paixão…

As Minhas 50 Mais Memoráveis Mãos

Geralmente há dois tipos de livros de Poker. Há os livros que ensinam como melhorar o seu jogo e há os livros que, apesar de terem algum Poker, apenas são entretenimento para um fã de Poker.
Doyle Brunson já escreveu o primeiro tipo – Supersystem – e tem 100 livros do segundo tipo dentro dele, um contador de um milhão de histórias pois esteve em todos os grandes momentos do Poker.
As Minhas 50 Mais Memoráveis Mãos é o terceiro tipo! Enquanto que este belo livro nos oferece uma boa parte da vida de Doyle, pois permite provar e cheirar as salas de Poker, desde o “buraco de ratos” no Texas ao fabuloso estúdio de televisão em Las Vegas, também poderá ser o livro mais útil que um jogador de Poker alguma vez escreveu.
Não há respostas fáceis no Poker. Quanto aposto com esta mão? Com que freqüência dobro aquela aposta? Depende, depende sempre. A situação, a oposição, a história – recente e passada. Este livro, do modo mais simples, dá-nos tudo isso. Onde ele estava, com quem estava a jogar, o que ele fez e porquê.
Mostra-nos, com menos cem mil fórmulas do que no Supersystem, como Doyle Brunson sempre foi tão bom ao longo do tempo.
Logo na primeira mão, na número 1, descreve como ganhou um pote de $5.000 a Johnny Moss com um Jack high, na tenra idade de 24. Não com um bluff, mas fazendo call com a melhor mão. Anunciou a chegada à mesa, e por lá ficou. Ele tem uma memória de elefante. Ele não só se recorda das cartas que interessam, mas as outras também – os kickers e as irrelevantes. Não é essencial saber o que foi dito por quem, ou os nomes de todos os presentes, ou a cor do papel de parede mas tal atenção para o detalhe coloca-nos num tempo e lugar, enquanto sentimos a atmosfera.
Há sorte. Ele ganha a maioria das mãos, mas não todas, e não tem vergonha de algumas más leituras. Também há batota, armas de fogo, bebida, drogas, suicídio e homicídio, mas este não é um livro sensacionalista.
Mas Doyle aceita tudo serenamente. Simplesmente lida com as coisas. Joga as mãos uma a uma, milhões delas, e todas são diferentes.
Há lições para aprender, e estas parecem ser tão fáceis. Não há números, probabilidades ou pot odds para calcular. Apenas experiência. E a beleza é que podem relacionar as mãos em qualquer nível que queira. Um novato apanhará meia dúzia de truques que lhe pouparão dinheiro. Um mais avançado ficará maravilhado com a profundidade do jogo do homem e a subtileza com que o faz.
A editora poderia ter pensado que este livro iria apenas encher prateleiras durante o Natal mas, para mim, há mais ouro em As Minhas 50 Mais Memoráveis Mãos do que em 100 livros de Poker. Possivelmente indispensável.

Every Hand Revealed

Poucos jogadores no circuito profissional suscitam tanta análise como Gus Hansen, graças ao seu estilo de jogo tão especial. O debate começa com o primeiro episódio do “World Poker Tour Season 1” em que o “Great Dane” aparece a vencer o “2002 Five Diamond World Poker Classic” graças a várias jogadas pouco ortodoxas (“Ele jogou muito mal”, disse Freddy Deeb, um dos adversários dele na mesa final). Mais dois títulos WPT, numerosas presenças em shows, tais como “Poker After Dark” e “High Stackes Poker”, a vitória no Aussie Millions, e uma longa presença (61º) no WSOP Main Event do ano passado ainda incendiaram mais a especulação, deixando muitos a pensar, repetidamente, “Qual foi o segredo?”

Com “Every Hand Revealed”, Hansen oferece uma completa resposta para essa questão. Começando pela premissa que “ainda terá que surgir um livro que, convincentemente, apresente uma estratégia viável de Poker baseada na prática, não na teoria”, Hansen descreve minuto a minuto a sua vitória no 2007 Aussie Millions com descrições de todas as mãos desde o inicio do Dia 1 até à ultima jogada do Heads-Up Final. O formato faz lembrar exemplos recentes de jogadores como Greg Raymer e Annette Obrestad, ao tornarem públicos os históricos completos das mãos jogadas nos seus triunfos em torneios on-line, convidando outros a retirarem o que conseguirem a partir de tais detalhes tão ricos. A diferença, claro, é que Hansen narra aqui uma experiência num torneio ao vivo, e também fornece muito mais informação que um simples ensaio sobre o tamanho das stacks, cartas recebidas, e acções de apostas.

Tecnicamente falando, nem todas as mãos do triunfo da Hansen no Aussie Millions são reveladas. Hansen omitiu discutir mãos onde ele passou sem nenhuma acção pré-flop. No entanto, sobraram ainda 329 mãos para que Hansen fale delas, descrevendo os detalhes pertinentes que ele conseguiu preservar no seu gravador portátil, após cada mão. Dessas, Hansen designou 21 como “mãos cruciais” que provaram ser especialmente criticas quando avaliamos o seu sucesso global neste torneio. Também adicionou uma colectânea final de dados descrevendo o seu jogo num capítulo audaciosamente chamado “Estatísticas e dicas para todos os meus companheiros cromos” (”Stats and Tips for all My Fellow Poker Nerd”).

O que resulta é um relato extraordinariamente consistente de um jogador confortável com ver uma alta percentagem de flops e então exercer pressão máxima sobre os seus adversários. Conforme vamos avançando no livro, um número comum de temas são realçados, incluindo a compreensão do significado das estruturas blind/ante, as diferenças entre estratégias para short-handed vs. full table, a importância ir a zero nas tendências dos adversários, e a constante necessidade de ter presente o tamanho das stacks e as pot odds. O leitor verá Hansen frequentemente obter vantagem do momento em que os outros jogam durante a primeira e a última órbita de cada nível. Também conseguirá reconhecer como Hansen considera fazer limp pré-flop raramente uma boa ideia, mas fazer call post-flop com posição pode ser correcto talvez mais vezes que alguém possa pensar.

Numa das “mãos cruciais” do Dia 3, Hansen descreve o processo de raciocínio que resultou na sua decisão de fazer call a uma aposta check-raise all-in de Paul Wasicka no flop quando tinha na mão apenas Ace high e uma open-ended straight draw. Em vez de levar os cálculos matemáticos usuais em conta, Hansen explica como ele também considerou as “menos-fácilmente-quantificáveis” consequências se largasse a mão. “Se eu fizesse fold desta mão e o Mr. Wasicka mostrasse um completo air-ball, eu iria definitivamente perder algum momentum,” explicou. “Se ele escolhesse não mostrar a mão com um pequeno sorriso na face, a dúvida iria rastejar na minha mente e poderia levar algum tempo até conseguir recuperar a minha compostura e a minha imagem na mesa.” Isto é uma de várias passagem intrigantes onde Hansen tenta partilhar como essas coisas intangíveis muitas vezes têm tanto a ver com a tomada de decisões, tal como têm odds e outs.

Jogadores experientes em MTT irão certamente encontrar aqui muitos motivos de interesse, incluindo um número de mãos merecedoras de extensos debates em fóruns de Poker. O livro deveria também apelar àqueles com menos interesse e/ou paciência, devido à tão densa colectânea de análise de mãos, primeiramente devido aos muitos relatos, num tom quase convencional que Hansen aplica. Irão descobrir partes humorísticas e com sarcasmo ao longo do livro, e flashes inesperados que funcionam bem para manter o interesse do leitor nos procedimentos.

Por exemplo, quando fala sobre uma mão onde três jogadores vêm o flop, Hansen escreve, “Eu apostei primeiro 66K num pot de 118K, e antes que possas dizer ‘Phil Hellmuth’ ambos foldaram!” – uma referência engraçada ao muito citado “Poker Brat” por fazer “laydowns” ultra rápidos. Encontramos outra, menos esperada, numa salpicada alusão ao longo do texto, com Hansen a mostrar-se capaz de trazer “Garfield the cat”, Allen Iverson ou Kingpin em determinados momentos. Há também o ocasional “smiley face” (tal como o que se pode achar nas janelas de texto de Poker online). A sua maior vitória são esses momentos de auto-depreciação, quer ele esteja a troçar da sua imagem selvagem ou genuinamente a adivinhar as suas decisões menos planetárias, tais como quando ele fala sobre uma mão no Dia 2 onde ele faz um simples call com top pair, deixando então o seu adversário apanhar a carta e ser ultrapassado no river: “Eu joguei esta mão como um novato, um fish, um idiota!”

No momento em que chegamos à mesa final com Hansen, compreendemos que enquanto ele jogou arduamente todas as 329 mãos que ele descreveu sem errar, ele fez muitas, mas muito mais boas decisões que más decisões. E quase todas as decisões foram descritas por cuidadosos pensamentos estratégicos. Hansen certamente beneficiou de alguma sorte ao longo do decorrer do 2007 Aussie Millions, incluindo quando teve que batalhar para recuperar (duas vezes) de diferenças de stack em 3 para 1 quando estava heads-up contra Jimmy Fricke. No entanto, depois de ler “Every Hand Revealed,” fica claro que quando alguém pergunta “Em que é que Hansen estava a pensar?” uma resposta razoável devia ser “Em muita coisa.”